quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

BENTO XVI Na íntegra, última Catequese de Bento XVI


Cerca de 150 mil fiéis se reuniram na Praça São Pedro para ouvirem última Catequese de Bento XVI
Catequese 
Praça São Pedro
Quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal
Venerados irmãos no Episcopado e no Sacerdócio!
Ilustres Autoridades!
Queridos irmãos e irmãs!
Agradeço-vos por terem vindo em tão grande número para esta minha última Audiência geral.
Obrigado de coração! Estou realmente tocado! E vejo a Igreja viva! E penso que devemos também dizer um obrigado ao Criador pelo tempo belo que nos doa agora ainda no inverno.
Como o apóstolo Paulo no texto bíblico que ouvimos, também eu sinto no meu coração o dever de agradecer sobretudo a Deus, que guia e faz crescer a Igreja, que semeia a sua Palavra e assim alimenta a fé no seu Povo. Neste momento a minha alma se expande para abraçar toda a Igreja espalhada no mundo; e dou graças a Deus pelas “notícias” que nestes anos do ministério petrino pude receber sobre a fé no Senhor Jesus Cristo, e da caridade que circula realmente no Corpo da Igreja e o faz viver no amor, e da esperança que nos abre e nos orienta para a vida em plenitude, rumo à pátria do Céu.
Sinto levar todos na oração, um presente que é aquele de Deus, onde acolho em cada encontro, cada viagem, cada visita pastoral. Tudo e todos acolho na oração para confiá-los ao Senhor: para que tenhamos plena consciência da sua vontade, com toda sabedoria e inteligência espiritual, e para que possamos agir de maneira digna a Ele, ao seu amor, levando frutos em cada boa obra (cfr Col 1,9-10).
Neste momento, há em mim uma grande confiança, porque sei, todos nós sabemos, que a Palavra de verdade do Evangelho é a força da Igreja, é a sua vida. O Evangelho purifica e renova, traz frutos, onde quer que a comunidade de crentes o escuta e acolhe a graça de Deus na verdade e vive na caridade. Esta é a minha confiança, esta é a minha alegria.
Quando, em 19 de abril há quase oito anos, aceitei assumir o ministério petrino, tive a firme certeza que sempre me acompanhou: esta certeza da vida da Igreja, da Palavra de Deus. Naquele momento, como já expressei muitas vezes, as palavras que ressoaram no meu coração foram: Senhor, porque me pedes isto e o que me pede? É um peso grande este que me coloca sobre as costas, mas se Tu lo me pedes, sobre tua palavra lançarei as redes, seguro de que Tu me guiarás, mesmo com todas as minhas fraquezas. E oito anos depois posso dizer que o Senhor me guiou, esteve próximo a mim, pude perceber cotidianamente a sua presença. Foi uma parte do caminho da Igreja que teve momentos de alegria e de luz, mas também momentos não fáceis; senti-me como São Pedro com os Apóstolos na barca no mar da Galileia: o Senhor nos doou tantos dias de sol e de leve brisa, dias no qual a pesca foi abundante; houve momentos também nos quais as águas eram agitadas e o vento contrário, como em toda a história da Igreja, e o Senhor parecia dormir. Mas sempre soube que naquela barca está o Senhor e sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas é Sua. E o Senhor não a deixa afundar; é Ele que a conduz, certamente também através dos homens que escolheu, porque assim quis. Esta foi e é uma certeza, que nada pode ofuscá-la.  E é por isto que hoje o meu coração está cheio de agradecimento a Deus porque não fez nunca faltar a toda a Igreja e também a mim o seu consolo, a sua luz, o seu amor.
Estamos no Ano da Fé, que desejei para reforçar propriamente a nossa fé em Deus em um contexto que parece colocá-Lo sempre mais em segundo plano. Gostaria de convidar todos a renovar a firme confiança no Senhor, a confiar-nos como crianças nos braços de Deus, certo de que aqueles braços nos sustentam sempre e são aquilo que nos permite caminhar a cada dia, mesmo no cansaço. Gostaria que cada um se sentisse amado por aquele Deus que doou o seu Filho por nós e que nos mostrou o seu amor sem limites. Gostaria que cada um sentisse a alegria de ser cristão. Em uma bela oração para recitar-se cotidianamente de manhã se diz: “Adoro-te, meu Deus, e te amo com todo o coração. Agradeço-te por ter me criado, feito cristão…”. Sim, somos contentes pelo dom da fé; é o bem mais precioso, que ninguém pode nos tirar! Agradeçamos ao Senhor por isto todos os dias, com a oração e com uma vida cristã coerente. Deus nos ama, mas espera que nós também o amemos!
Mas não é somente a Deus que quero agradecer neste momento. Um Papa não está sozinho na guia da barca de Pedro, mesmo que seja a sua primeira responsabilidade. Eu nunca me senti sozinho no levar a alegria e o peso do ministério petrino; o Senhor colocou tantas pessoas que, com generosidade e amor a Deus e à Igreja, ajudaram-me e foram próximas a mim. Antes de tudo vós, queridos Cardeais: a vossa sabedoria, os vossos conselhos, a vossa amizade foram preciosos para mim; os meus Colaboradores, a começar pelo meu Secretário de Estado que me acompanhou com fidelidade nestes anos; a Secretaria de Estado e toda a Cúria Romana, como também todos aqueles que, nos vários setores, prestaram o seu serviço à Santa Sé: são muitas faces que não aparecem, permanecem na sombra, mas propriamente no silêncio, na dedicação cotidiana, com espírito de fé e humildade foram para mim um apoio seguro e confiável. Um pensamento especial à Igreja de Roma, a minha Diocese! Não posso esquecer os Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio, as pessoas consagradas e todo o Povo de Deus: nas visitas pastorais, nos encontros, nas audiências, nas viagens, sempre percebi grande atenção e profundo afeto; mas também eu quis bem a todos e a cada um, sem distinções, com aquela caridade pastoral que é o coração de cada Pastor, sobretudo do Bispo de Roma, do Sucessor do Apóstolo Pedro. Em cada dia levei cada um de vós na oração, com o coração de pai.
Gostaria que a minha saudação e o meu agradecimento alcançasse todos: o coração de um Papa se expande ao mundo inteiro. E gostaria de expressar a minha gratidão ao Corpo diplomático junto à Santa Sé, que torna presente a grande família das Nações. Aqui penso também em todos aqueles que trabalham para uma boa comunicação, a quem agradeço pelo seu importante serviço.
Neste ponto gostaria de agradecer verdadeiramente de coração todas as numerosas pessoas em todo o mundo, que nas últimas semanas me enviaram sinais comoventes de atenção, de amizade e de oração. Sim, o Papa não está nunca sozinho, agora experimento isso mais uma vez de um modo tão grande que toca o coração. O Papa pertence a todos e tantas pessoas se sentem muito próximas a ele. É verdade que recebo cartas dos grandes do mundo – dos Chefes de Estado, dos Líderes religiosos, de representantes do mundo da cultura, etc. Mas recebo muitas cartas de pessoas simples que me escrevem simplesmente do seu coração e me fazem sentir o seu afeto, que nasce do estar junto com Cristo Jesus, na Igreja. Estas pessoas não me escrevem como se escreve, por exemplo, a um príncipe ou a um grande que não se conhece. Escrevem-me como irmãos e irmãs ou como filhos e filhas, com o sentido de uma ligação familiar muito afetuosa. Aqui pode se tocar com a mão o que é a Igreja – não uma organização, uma associação para fins religiosos ou humanitários, mas um corpo vivo, uma comunhão de irmãos e irmãs no Corpo de Jesus Cristo, que une todos nós. Experimentar a Igreja deste modo e poder quase tocar com as mãos a força da sua verdade e do seu amor é motivo de alegria, em um tempo no qual tantos falam do seu declínio. Mas vejamos como a Igreja é viva hoje!
Nestes últimos meses, senti que as minhas forças estavam diminuindo e pedi a Deus com insistência, na oração, para iluminar-me com a sua luz para fazer-me tomar a decisão mais justa não para o meu bem, mas para o bem da Igreja. Dei este passo na plena consciência da sua gravidade e também inovação, mas com profunda serenidade na alma. Amar a Igreja significa também ter coragem de fazer escolhas difíceis, sofrer, tendo sempre em vista o bem da Igreja e não de si próprio.
Aqui, permitam-me voltar mais uma vez a 19 de abril de 2005. A gravidade da decisão foi propriamente no fato de que daquele momento em diante eu estava empenhado sempre e para sempre no Senhor. Sempre – quem assume o ministério petrino já não tem mais privacidade alguma. Pertence sempre e totalmente a todos, a toda a Igreja. Sua vida vem, por assim dizer, totalmente privada da dimensão privada. Pude experimentar, e o experimento precisamente agora, que se recebe a própria vida quando a doa. Antes disse que muitas pessoas que amam o Senhor amam também o Sucessor de São Pedro e estão afeiçoadas a ele; que o Papa tem verdadeiramente irmãos e irmãs, filhos e filhas em todo o mundo, e que se sente seguro no abraço da vossa comunhão; porque não pertence mais a si mesmo, pertence a todos e todos pertencem a ele.
O “sempre” é também um “para sempre” – não há mais um retornar ao privado. A minha decisão de renunciar ao exercício ativo do ministério não revoga isto. Não retorno à vida privada, a uma vida de viagens, encontros, recepções, conferências, etc. Não abandono a cruz, mas estou de modo novo junto ao Senhor Crucificado. Não carrego mais o poder do ofício para o governo da Igreja, mas no serviço da oração estou, por assim dizer, no recinto de São Pedro. São Bento, cujo nome levo como Papa, será pra mim de grande exemplo nisto. Ele nos mostrou o caminho para uma vida que, ativa ou passiva, pertence totalmente à obra de Deus.
Agradeço a todos e a cada um também pelo respeito e pela compreensão com o qual me acolheram nesta decisão tão importante. Continuarei a acompanhar o caminho da Igreja com a oração e a reflexão, com aquela dedicação ao Senhor e à sua Esposa que busquei viver até agora a cada dia e que quero viver sempre. Peço-vos para lembrarem-se de mim diante de Deus e, sobretudo, para rezar pelo Cardeais, chamados a uma tarefa tão importante, e pelo novo Sucessor do Apóstolo Pedro: o Senhor o acompanhe com a sua luz e a força do seu Espírito.
Invoquemos a materna intercessão da Virgem Maria Mãe de Deus e da Igreja para que acompanhe cada um de nós e toda a comunidade eclesial; a ela nos confiemos, com profunda confiança.
Queridos amigos! Deus guia a sua Igreja, a apoia mesmo e sobretudo nos momentos difíceis. Não percamos nunca esta visão de fé, que é a única verdadeira visão do caminho da Igreja e do mundo. No nosso coração, no coração de cada um de vós, haja sempre a alegre certeza de que o Senhor está ao nosso lado, não nos abandona, está próximo a nós e nos acolhe com o seu amor. Obrigado!
BENTOXVI_assinatura


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Veja íntegra da última mensagem de Bento XVI em audiência pública

Bento XVI realizou, nesta quarta-feira (27), sua última audiência pública como Papa. Uma multidão acompanhou o evento na Praça de São Pedro. Veja, no vídeo a íntegra da mensagem.

Clique aqui e assista.

Fonte: G1

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Oração de Combate Espiritual

Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo Dia após Dia,estou a travar uma batalha.Em um campo desconhecido, sinto os ataques, Mas não posso ver...Meu corpo esta cansado e desacreditado e em ti busco forças...

Peço Jesus que o sangue que de ti foi derramado, corra em minhas veias nesse momento e me revigore para a luta limpando e cicatrizando minhas feridas e colocando em fuga o inimigo que um dia fez de mim o seu refém, que a luz que vem do espírito santo cegue cada Demônio que ouse para mim olhar os deixando perdidos e sofrendo em seu próprio mal caindo em suas próprias armadilhas.

Que sua 
Cruz marque em meu peito a vitória e meu coração sinta a sua presença a cada batida, ao meu lado direito clamo pela presença de São Miguel Arcanjo e sua milícia caçando cada entidade que se aproxima de mim ou aqueles que amo, e anulando todo tipo de trabalho, bruxaria ou orações em centros espíritas e Umbanda que foram feitas a favor ou contra mim, ao meu lado esquerdo peço a presença de São Bento intercedendo por esse momento e invalidando as ciladas que o demônio coloca em nossos caminhos ou que um dia foi colocado e por inocência fui pego.

Acima de mim oro pela presença de minha mãe Nossa senhora a Virgem Maria que me cobre em seu manto e me protege de cada intuito maligno de cada tentativa de violência física ou espiritual a qual o antigo inimigo vem tramando contra mim, minha alma pede que toda serpente maligna que rasteja a espera do momento do ataque sinta a dor do esmagamento para que nunca esqueça de quem eu sou 
filho e o que está por vir como retaliação ao que me foi feito, convoco todos os anjos e Santos que fiquem atrás de mim com suas espadas fundidas em oração e unção a espera da batalha.

Pai amado , Pai querido que minha oração caia como um bombardeio no campo que agora estou e que apenas os seus filhos queridos fiquem de pé perseverando até o momento de sua chegada.


Fonte: http://www.arcanjomiguel.net
 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Santidade e Combate Espiritual


A principal intenção da beata Elena Guerra nas correspondências que dirigiu ao papa Leão XIII, no final do século XIX, era relembrar a necessidade de invocação do Espírito Santo para a santificação dos fieis e renovação da face da terra. Ao dirigir sua primeira carta ao sumo pontífice, ela escreve: “Santo Padre, o mundo é mal, o espírito de satanás triunfa na pervertida sociedade e uma multidão de almas se distancia do Coração de Deus. [...] Somente o senhor pode fazer com que os cristãos retornem ao Espírito Santo, para que o Espírito Santo retorne a nós, abata o domínio do demônio e nos conceda a desejada renovação da face da terra.”[1]
Além da clara intenção de colocar em relevo a reflexão, culto e devoção ao Espírito Santo, percebemos implícito em sua obra, uma preocupação com aquilo que diz respeito ao combate espiritual que enfrenta diariamente todos os fiéis. Nesse combate, estaria, de um lado, o espírito de satanás que procura perverter a sociedade e fazer perder as almas; e de outro, o Espírito de Deus, que “abate o domínio do demônio”, ou seja, livra-nos da servidão do pecado, e “renova a face da terra”, isto é, transforma a sociedade pervertida em “novo céu e nova terra”.
É interessante notar que dentre tantos temas relevantes e que poderiam ser tratados pela Beata em sua comunicação com o Papa, ela tenha começado justificando a necessidade de um clamor ao Espírito Santo para o enfrentamento do Maligno. Essa doutrina de Elena Guerra encontra respaldo na verdade do Evangelho em que Jesus diz: “Se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus.” (Mt 12,28).
O Concílio Vaticano II procurou deixar claro a existência de um combate espiritual quando falou que “uma luta árdua contra o poder das trevas perpassa a história universal da humanidade. Iniciada desde a origem do mundo, vai durar até o último dia, segundo as palavras do Senhor (Mt 24,13; 13,24-30.36-43). [...] No entanto, continuam os padres conciliares, o homem não consegue alcançar a unidade interior senão com grandes labutas e o auxílio da graça de Deus.”[2]
O Espírito Santo, graça de Deus oferecida aos homens, é a “força do alto” (Lc 24,49) na luta contra o Maligno. Podemos dizer que o Espírito é Deus em sua força, agindo em nós e nos concedendo vitória sobre todo mal.
Sem o Espírito Santo, nossa ação é ineficaz na luta contra o Mal
O Espírito age no homem, movendo-o na luta contra o Mal. É no Espírito e por meio dEle que o homem torna-se capaz de sair vencedor desse combate. Um grande erro da humanidade é imaginar-se capaz de vencer a luta contra o mal sem o auxílio da graça, sem querer contar com o auxílio do Espírito de Deus. Escravizado pelo pecado, o homem ficou em “servidão debaixo do poder daquele que tinha o império da morte, isto é, do Diabo.” (CIC 407). O Magistério chama de “natureza lesada, inclinada ao mal” a realidade humana marcada pelo pecado. O pecado “fere a natureza do homem” (CIC 1849) e o enfraquece, tornando-o incapaz de, sozinho, vencer essa batalha. O pecado é, nesse sentido, a arma que o demônio usa para enfraquecer os filhos de Deus. Ao pecar, o homem “ofende a Deus” e “desvia dele o seu coração”[3]. Distante de Deus, fechado em si mesmo, torna-se um artífice da maldade.
Foi esta clara noção de distanciamento do homem do Coração de Deus que levou Elena Guerra a requerer e rezar por uma nova vinda do Espírito Santo. “Este funesto poder do espírito maligno sobre o mundo durará até que o Espírito Santo venha renovar a face da terra”[4], dizia a Beata.
Santidade, arma eficaz contra o demônio
Se o pecado é a arma do demônio contra nós, o Espírito Santo é a nossa força e o poder santificador na luta contra o pecado. Jesus, o “cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, enviou-nos o seu Espírito a fim de que fôssemos, assim como Ele, vencedores sobre todo Mal. Escreve Sto. Ambrósio: “O Senhor, que arrancou vosso pecado e perdoou vossas faltas, tem poder para vos proteger e vos guardar contra os ardis do Diabo que vos combate, a fim de que o inimigo, que costuma engendrar a falta, não vos surpreenda. Quem se entrega a Deus não teme o Demônio.”[5]
Como podemos ser protegidos e guardados contra os ardis do diabo nesse combate? Entregando-nos a Deus! “Quem se entrega a Deus não teme o demônio.” Todos aqueles que viveram essa realidade de entrega total a Deus saíram vencedores dessa batalha. Como uma criança não teme ao agressor quando está junta de seu pai, não pode temer ao demônio uma alma que está unida a Deus. Se o pecado é o que nos distancia de Deus, o Espírito Santo é quem nos reaproxima do Coração de Deus.
São João da Cruz observa que o diabo persegue principalmente as almas unidas profundamente a Deus, e especialmente seus místicos e contemplativos, porque não suporta que eles possam viver aqui embaixo na intimidade com Deus. Além disso, satanás sabe como é grande a influência desses amigos de Deus sobre os homens; assim, impedir o progresso espiritual dessas almas enamoradas de Deus equivale a retardar o caminho de muitas outras.[6]
E o que significa entregar-se a Deus senão deixar-se possuir e guiar por seu Espírito? Como poderá a alma permanecer unida a Deus, numa profunda intimidade, sem o auxílio do Espírito Santo? Só o Espírito será capaz de nos tornar “amigos de Deus”! Viver a vida nova no Espírito significa renunciar a satanás e deixar-se plenificar da graça santificante do Espírito.
Jesus Cristo, por meio de sua paixão, morte e ressurreição, justificou-nos de nossos pecados e nos deu acesso ao Reino de Deus. O Espírito Santo, paráclito do Pai, guia-nos por este Caminho aberto pelo Cristo e recoloca-nos, especialmente por meio dos sacramentos, em harmonia com Deus. Aquilo que o demônio roubou-nos quando pecamos, Jesus nos restituiu dando-nos o seu Espírito, “penhor de nossa herança” (Ef 1,14).
Eis a missão do Espírito Santo em nós: fazer-nos santos! Conduzir-nos pelo caminho de santidade, livrando-nos de todas as ciladas do Maligno e manter-nos livres da escravidão do pecado.
A Beata Elena Guerra demonstrou ter uma consciência bastante clara quanto à necessidade de acolhimento do Espírito Santo como agente santificador e condutor das almas ao Coração de Deus. Sabia que somente pelo Espírito é possível chegarmos à perfeição. “É o Espírito Santo que faz os santos!”[7], dizia a Beata, repetindo frequentemente a expressão como um sonoro refrão em seus escritos espirituais.
Quando falamos em combate espiritual, ficamos sempre inclinados a imaginar um campo de batalha, exterior a nós, um lugar onde se trava uma guerra contra “as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares” (Ef. 6,12). Mas o principal campo de batalha onde somos convocados a combater é aquele que existe dentro de nós mesmos, onde a derrota poderá significar a condenação eterna...
Somos habitados pelo Espírito de Deus e não por satanás. No entanto, é dentro de nós, pelas brechas abertas pelo pecado que o mal procura se instalar, seduzindo-nos a cometer ofensas contra Deus. Precisamos continuamente do Espírito Santo para sermos santos! É preciso viver em santidade para não cair em tentação. No combate espiritual que enfrentamos somente os santos conseguem sair vencedores.
Veni, Sancte Spiritus!
Fonte: José Rogerio Soares dos Santos -Pres. Conselho Estadual RCCSP - Brasil

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Programa para a Quaresma: a Cruz, a caridade, a oração e a batalha contra o defeito dominante


Dia 03 de Março - Dia de Combate Espiritual - Livrai-nos do Mal -  Pregação: Jacira Mourão
Em meio a tantos combates encontramos o  combate de cada um contra o defeito dominante e, nesta sexta feira, vamos refletir sobre  esta dimensão do Combate Espiritual.


O demônio, inimigo do homem, é como um leão que ruge ao nosso redor, procurando nos devorar. Com muita inteligência, ele busca, precisamente, nos atacar em nosso ponto fraco. Assim, ele faz a ronda para examinar todas as nossas virtudes teologais, cardeais e morais, e é no ponto em que nos encontra mais fraco, é nesse ponto, que é o mais perigoso para a nossa salvação, que ele nos ataca e tenta nos abater.                                                                                         
Como um bom chefe de guerra, ele sabe que uma vez tomado o ponto mais fraco de nossa alma, o menos virtuoso, ele vai se tornar o mestre de todo o resto de nossa alma. Esse ponto mais desprovido de virtude, o mais arruinado pelas nossas más inclinações é justamente o nosso defeito dominante, que é também a raiz, a causa de muitos outros pecados.                                                                                                                
Esse defeito dominante pode ser muito diverso segundo cada pessoa: o orgulho, a vaidade, a sensualidade, a impureza, a falta de modéstia, o respeito humano, o apego aos bens desse mundo, o apego às honras ou à glória desse mundo. Ele pode ser a preguiça, sobretudo a preguiça espiritual, a falta de espírito sobrenatural, a falta de esperança, a inconstância, o espírito mundano, a cólera, etc…                                                                                  
É fácil ver a importância de combater nosso defeito dominante e isso por duas razões principais. Primeiramente, porque é do defeito dominante que nos vêm os maiores perigos para a nossa alma e as mais graves ocasiões de pecado.                                                     
Como dissemos, ele é a raiz para vários outros pecados. Segundo, podemos ver a importância de combater o defeito dominante pelo fato de que, uma vez vencido o inimigo mais terrível, os inimigos mais fracos serão facilmente derrotados por nossa alma, que se tornou mais forte em razão da primeira vitória.                                                              
Devemos agir como o Rei da Síria na guerra contra Israel. Esse Rei ordenou aos seus soldados que combatessem unicamente contra o Rei de Israel, prometendo que a morte do Rei inimigo daria uma vitória fácil sobre o resto do exército israelita. Foi exatamente o que aconteceu: tendo morrido o rei de Israel, todo o exército cedeu e a guerra terminou imediatamente. De maneira semelhante, caros católicos, será muito mais fácil vencer nossos outros defeitos quando tivermos vencido o nosso defeito dominante.                        
Para que sejamos vitoriosos nesse combate, é preciso, todavia, seguir o conselho da Igreja. A vitória sobre o nosso defeito dominante não ocorre sem os sofrimentos, sem as cruzes, sem as privações. É impossível vencê-lo sem a mortificação, sem a penitência.           
Do mesmo modo, sem a oração – sem muita oração – é igualmente impossível vencê-lo e até mesmo começar a batalha, pois é Deus que nos dá a força para combater e é Deus que nos dá, em última instância, a vitória. Sem Ele, mais uma vez, nada podemos fazer. 
Finalmente, é a caridade, a vontade de servir Deus, infinitamente bom e amável, que deve nos animar e nos dispor ao combate. São a cruz e a oração simples – mas eficaz – do cego que nos são lembradas pelo Evangelho.                                                                             
É a caridade – absolutamente necessária – que nos lembra São Paulo no sublime elogio da caridade. Mas para não se enganar a respeito de seu próprio defeito dominante, é necessário pedir o auxílio de Deus, para que Ele mostre qual é esse defeito e convém pedir conselho a um padre bom que conheça sua alma.                                                                         
Se, caros católicos, conseguirmos vencer ou ao menos começar uma batalha séria contra nosso vício dominante – porque às vezes é preciso muito tempo para vencê-lo, como foi o caso, por exemplo de São Francisco de Sales com a ira – o caminho da santidade estará bem traçado, pois dessa forma cortamos o mal pela raiz, cortamos o mal em sua causa e evitamos todos os frutos ruins, que são os pecados. Com essa má árvore cortada, poderemos praticar com facilidade e alegria a virtude e o bem, avançando no caminho da perfeição.                                                                                                                          
Em todo caso, caros católicos, durante a Quaresma, não esqueçam nem um só desses três elementos: a penitência, a oração e a caridade. Com eles teremos uma Quaresma com frutos abundantes e duradouros porque teremos avançado em direção à vida eterna, satisfazendo por nossos pecados e nos dispondo à graça. Sem esses elementos, nossa 
Quaresma até poderá produzir alguns frutos, mas eles permanecerão superficiais e passageiros.                                                                                                                        
Portanto: a cruz, a oração, a caridade. Isso é o resumo do Evangelho, o resumo da vida de Nossa Senhor Jesus Cristo. Deve ser também o resumo de nossas vidas.                                        Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Fonte:  Combate EspiritualFormativosSermões,  Pe. Daniel Pinheiro.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O que é o Combate Espiritual?


Dia 03 de Março - Dia de Combate Espiritual - Livrai-nos do Mal -  Pregação: Jacira Mourão


A armadura de Deus é Jesus. Precisamos nos revestir de Cristo para estar a salvo dos ataques do inimigo. Isso significa permitir que o “homem novo” vá crescendo em nós, até o ponto de podermos dizer: já não sou eu que vivo, Cristo vive em mim.

Estar revestido de Cristo significa sentir como Ele sentia, fazer o que Ele fazia, falar como Ele falava, agir como Ele agia. É colocar a vontade amorosa de Deus como princípio e centro da nossa vida.

A Eucaristia é a expressão maior desse revestir-se de Cristo. É o melhor refúgio. Precisamos estar conscientes de que o inimigo de Deus existe e age. A Igreja afirma claramente que o demônio existe. Mas não é tão poderoso assim… é criatura, age só com a permissão de Deus.

É interessante conhecer as estratégias do maligno para que possamos resistir “no dia mau”, ou seja, na “hora H”. Santo Inácio de Loyola, com suas “regras de discernimento” nos ensina com sabedoria a perceber a voz do Espírito Santo, distinguindo-a da sedutora cantinela do inimigo.

Ao final do seu texto São Paulo compara o cristão com um soldado pronto para a guerra:

· o cinturão da verdade: Lembre-se de que o inimigo é o pai da mentira. É o príncipe das trevas. Portanto, não resiste à luz e à verdade. O Sacramento da Confissão é uma luz de verdade que deve ser utilizado como estratégia contra ele.

· a couraça da justiça: bastaria lembrar a Campanha da Fraternidade destes dois últimos anos. Justiça e Paz se abraçarão.

· calçado da prontidão para anunciar o Evangelho da Paz: a Nova Evangelização é uma estratégia de libertação. Quando nos fechamos em nós mesmos estamos à mercê dos ataques… mas quando nos colocamos a caminho…

· o capacete da salvação: na cabeça, um critério muito seguro que distingue as verdadeiras das falsas doutrinas: Jesus é o Salvador.

· a Espada do Espírito: é a Palavra de Deus, nosso instrumento de libertação.

QUESTÕES PARA REFLEXÃO PESSOAL

1. Conheço algo do Combate Espiritual na vida dos Santos? (Santo Agostinho, Antão, Bento…)

2. Já tive a curiosidade de pesquisar esse tema no Catecismo da Igreja Católica?

3. Conheço algum outro texto da Bíblia que frequentemente me anima no combate?

4. Tenho um diretor espiritual, ou, pelo menos, um confessor?

5. Tenho um projeto pessoal de vida? Escrito? Tenho metas? Ou meu combate consiste apenas em resolver problemas!?


Padre Joãozinho, SCJ

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Dia de Combate Espiritual: Livrai-nos do Mal


Dia 03 de Março - Dia de Combate Espiritual - Livrai-nos do Mal

Abaixo, publicamos o testemunho, de Clesio de Luca que participou de um  de nossos Encontros Combate Espiritual, no CEAR. Vale a pena ler e divulgar


Leia o testemunho e faça sua reflexão:

Nosso destino

Estou reaprendendo a viver. Estou experimentando um estado de quietude que há tempos havia perdido. Pelo menos é o que sinto hoje. Fazia tempo que não sentia a calma, e assim poder olhar o que está a minha frente, sem ansiedade, atropelos, como se estivesse fugindo de mim mesmo.

Sentia  perseguições, urros que gritavam próximos de mim, foram-se, libertei-me de um poder destruídor, pois estava me derrotando. Lembro-me então do risco que estava correndo, e se descuidarmos o perigo ameaçador volta.

Estou falando de um inimigo presente caso não estejamos prontos e preparados para enfrentá-lo. Estou mencionando um poder maior que me salvou, a graça e o poder de Deus. Fui tocado por Anjos sob o comando de Miguel, que luta contra as forças de Lucifer, expulso do paraiso, por negar-se a obedecer a Deus, não servirei!.

Retomei a arma contra o malígno, que é a Palavra de Deus escrita na Sagrada Escritura. Louvado seja Deus e glorificado seja o seu Nome.

Ontem estava tão cansado, pois na luta para me desfazer do inimigo, minhas forças físicas estavam extenuadas. Quisera que o efeito da graça fosse derramada aqui em nossa casa, perante os meus familiares, esposa e filho a quem amo, e que precisam de cuidados de um esposo e pai.

Orei para que a graça e o poder da salvação fosse espalhado ao grupo que estava no Cear, em Governador Celso Ramos, onde a Comunidade Divino Oleiro têm o seu lugar de retiro.

Senti a graça e do poder derramado pela palestrante Jacira Mourão, do Rio de Janeiro, aprendi o quanto somos mesquinhos a procura de bens e favores de Deus, nos tornando eternos pedintes, quando na realidade, o que precisamos é combater o inimigo, com orações, jejuns, penitência, leitura da palavra de Deus, e cuidar para que a graça fique para sempre conosco, afim de derrotar as forças do mal que querem nos fazer perder a graça de Deus e o desejo divino de nos salvar.

Pretendo ficar no exército da salvação servindo o rei da Glória na pessoa de Jesus Cristo.

Agradeço a Deus e ao Espírito Santo, Paráclito a oportunidade de poder transmitir a você esta reflexão, que foi fruto de uma participação ativa e libertadora no CEAR - Centro de Evangelização Angelino Rosa, no municipio de Governador Celso Ramos, em Santa Catarina com a presença da Comunidade Divino Oleiro, e os palestrantes Pe. Márcio Alexandre Vignolli, Jacira Mourão, Rio de Janeiro, e Stetatus Mtema da Tanzânia - África.

Clesio de Luca

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Quaresma: um caminho a se fazer em direção a Cristo.


Dia 03 de março: Dia de Combate Espiritual no Cear: "Livrai-nos do Mal".
Pregação: Jacira Mourão. Inicio: 8h. Participe.



A penitência: todos os dias quaresmais (exceto os domingos!) são dias de penitência.

A primeira e indispensável penitência quaresmal é no tocante à comida e à bebida:
 sem renúncia a algum alimento não há prática quaresmal! Cada um deve escolher 
uma pequena prática penitencial para este tempo. Por exemplo: renunciar
 a um lanche diariamente, ou a uma sobremesa, etc... Na Quarta-feira de Cinzas e
 na Sexta-feira Santa os cristãos jejuam: o jejum nos faz recordar que
somos frágeis e que a vida que temos é um dom de Deus, que deve ser vivida 
em união com ele. Os mais generosos podem jejuar todas as sextas-feiras da
 Quaresma. Farão muitíssimo bem! Recordemo-nos que às sextas-feiras os 
católicos não devem comer carne; e isto vale para o
ano todo! Além da penitência na alimentação é necessário escolher algo mais
 como mortificação, isto é, renúncia a algo de que se gosta; por exemplo:
 música, televisão, internet, determinado tipo de divertimento...


A esmola: Trata-se da caridade fraterna.

Este tempo santo deve abrir nosso coração
 para os irmãos: esmola, capacidade de ajudar,
 visitar os doentes, aprender a escutar 
os outros, reconciliar-se com alguém de quem 
estamos afastados - eis algumas das coisas
 que se pode fazer neste sentido!

A leitura da Palavra de Deus: Este é um tempo de
 escuta mais atenta da Palavra: o homem 
não vive somente de pão, mas de toda Palavra
 saída da boca de Deus. Seria muitíssimo 
recomendável ler durante este tempo o Livro do
 Êxodo ou o Deuteronômio ou, no Novo Testamento,
 o Evangelho segundo São Marcos. A leitura deve
 ser seguida, do começo ao fim do livro. Pode-se 
terminar sempre rezando um salmo...

A conversão: “Eis o tempo da conversão!”,
 diz-nos a Palavra de Deus.

Que cada um veja um vício, um ponto fraco, que 
o afasta de Cristo, e procure lutar, combatê-lo
 nesta Quaresma! É o que a Tradição ascética de Igreja chama de “combate espiritual” 
e “luta contra os demônios”. Nossos demônios são nossos vícios, nossas más tendências, 
que precisam
ser combatidas. Os antigos davam o nome de sete demônios principais: a soberba,
 a avareza, a tristeza (hoje diz-se a inveja, que é a tristeza pelo bem do outro), 
a preguiça, a ira, a gula, a sensualidade. Estes demônios geram outros. 
Na Quaresma, é necessário identificar aqueles
que são mais fortes em nós e combatê-los! Recomendo, neste sentido,
 a leitura do livro “Convivendo com o mal. A luta contra os demônios no monaquismo 
antigo”, de Anselm Grün, Editora Vozes.

A liturgia da Quaresma

Este tempo sagrado é marcado por alguns sinais especiais nas celebrações da Igreja:
 A cor da liturgia é o roxo - sinal de sobriedade, penitência e conversão; não se 
canta o Glória nas missas (exceto nas solenidades, quando houver); não se canta o
 aleluia que, sinal de alegria e júbilo, somente será cantado outra vez na
 Páscoa da Ressurreição; os cantos da missa devem ter uma melodia simples;
 não é permitido que se toque nenhum  instrumento musical, a não ser para
sustentar o canto, em sinal de jejum dos nossos ouvidos, que devem ser mais 
atentos à Palavra de Deus; não é permitido usar flores nos altares, em sinal
 de despojamento e penitência (nos casamentos e outras festas as igrejas, 
devem ser enfeitadas com muita sobriedade!); a partir da quinta semana da
 Quaresma podem-se cobrir de roxo ou branco as imagens, em sinal de 
jejum dos sentido, sobretudo dos olhos.

O importante é que todas estas práticas nos levem a uma preparação séria e 
empenhada para o essencial: a Páscoa! As observâncias quaresmais não 
são atos folclóricos, mas instrumentos para nos fazer crescer no processo 
de conversão que nos leva ao conhecimento espiritual e ao amor de Cristo.
 Tenhamos em vista que o ponto alto do caminho quaresmal é a renovação
 das promessas batismais na Santa Vigília pascal e a celebração da Eucaristia
 de Páscoa nesta mesma Noite Santa, virada do Sábado Santo para o Domingo
 da Ressurreição.

Que todos possam ter uma intensa vivência quaresmal, para celebrarmos na 
alegria espiritual a santa Páscoa do Senhor!

Fonte: Com. Shalom.


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Vivendo a quaresma


Na linguagem corrente, a Quaresma abrange os dias que vão da Quarta-feira de Cinzas até ao Sábado Santo. Contudo, a liturgia propriamente quaresmal começa com o primeiro Domingo da Quaresma e termina com o sábado antes do Domingo da Paixão.

A Quaresma pode se considerar, no ano litúrgico, o tempo mais rico de ensinamentos. Lembra o retiro de Moisés, o longo jejum do profeta Elias e do Salvador. Foi instituída como preparação para o Mistério Pascal, que compreende a Paixão e Morte (Sexta-feira Santa), a Sepultura (Sábado Santo) e a Ressurreição de Jesus Cristo (Domingo e Oitava da Páscoa).

Data dos tempos apostólicos a Quaresma como sinônimo de jejum observado por devoção individual na Sexta-feira e Sábado Santos, e logo estendido a toda a Semana Santa. Na segunda metade do século II, a exemplo de outras igrejas, Roma introduziu a observância quaresmal em preparação para a Páscoa, limitando porém o jejum a três semanas somente: a primeira e quarta da atual Quaresma e a Semana Santa.

A verdadeira Quaresma com os quarenta dias de jejum e abstinência de carne, data do início do século IV, e acredita-se que, para essa instituição, tenham influído o catecumenato e a disciplina da penitência pública.

O jejum consistia originariamente numa única refeição tomada à tardinha; por volta do século XV tornou-se uso comum o almoço ao meio-dia. Com o correr dos tempos, verificou-se que era demasiado penosa a espera de vinte e quatro horas; foi-se por isso introduzindo o uso de se tomar alguma coisa à tarde, e logo mais também pela manhã, costume que vigora ainda hoje. O jejum atual, portanto, consiste em tomar uma só refeição diária completa, na hora de costume: pela manhã, ao meio-dia ou à tarde, com duas refeições leves no restante do dia.

A Igreja prescreve, além do jejum, também a abstinência de carne, que consiste em não comer carne ou derivados, em alguns dias do ano, que variam conforme determinação dos bispos locais.

No Brasil são dias de jejum e abstinência a quarta-feira de cinzas e a sexta-feira santa. Por determinação do episcopado brasileiro, nas sextas-feiras do ano (inclusive as da Quaresma, exceto a Sexta-feira Santa) fica a abstinência comutada em outras formas de penitência.

Praticar a abstinência é privar-se de algo, não só de carne. Por exemplo, se temos o hábito diário de assistir televisão, fumar, etc, vale o sacrifício de abster-se destes itens nesses dias. A obrigação de se abster de carne começa aos 15 anos. A obrigação de jejuar, limitando-se a uma refeição principal e a duas mais ligeiras no decurso do dia, vai dos 21 aos 59 anos. Quem está doente (isto também vale para as mulheres grávidas) não está obrigado a jejuar.

“Todos pecamos, e todos precisamos fazer penitência”, afirma São Paulo. A penitência é uma virtude sobrenatural intimamente ligada à virtude da justiça, que “dá a cada um o que lhe pertence”: de fato, a penitência tende a reparar os pecados, que são ultrajes a Deus, e por isso dívidas contraídas com a justiça divina, que requer a devida reparação e resgate. Portanto, a penitência inclina o pecador a detestar o pecado, a repará-lo dignamente e a evitá-lo no futuro.

A obrigatoriedade da penitência nasce de quatro motivos principais, a saber:

 - Do dever de justiça para com Deus, a quem devemos honra e glória, o que lhe negamos com o nosso pecado;

- da nossa incorporação com Cristo, o qual, inocente, expiou os nossos pecados; nós, culpados, devemos associar-nos a ele, no Sacrifício da Cruz, com generosidade e verdadeiro espírito de reparação.

- Do dever de caridade para com nós mesmos, que precisamos descontar as penas merecidas com os nossos pecados e que devemos, com o sacrifício, esforçar-nos por dirigir para o bem as nossas inclinações, que tentam arrastar-nos para o mal;

- do dever de caridade para com o nosso próximo, que sofreu o mau exemplo de nossos pecados, os quais, além disso, lhe impediram de receber, em maior escala, os benefícios espirituais da Comunhão dos Santos.

Vê-se daí quão útil para o pecador aproveitar o tempo da Quaresma para multiplicar suas boas obras, e assim dispor-se para a conversão.

Segundo os Santos Padres, a Quaresma é um período de renovação espiritual, de vida cristã mais intensa e de destruição do pecado, para uma ressurreição espiritual, que marque na Páscoa o reinício de uma vida nova em Cristo ressuscitado.

A Quaresma tem por escopo primordial incitar-nos à oração, à instrução religiosa, ao sacrifício e à caridade fraterna. Recomenda-se por isso a freqüência às pregações quaresmais, a leitura espiritual diária, particularmente da Paixão de Cristo, no Evangelho ou em outro livro de meditação.

O jejum e abstinência de carne se fazem para que nos lembremos de mortificar os nossos sentidos, orientando-os particularmente ao sincero arrependimento e emenda de nossos pecados.

A caridade fraterna — base do Cristianismo — inclui a esmola e todas as obras de misericórdia espirituais e corporais.
Quais são as Obras de Misericórdia?
Corporais
Espirituais
1. Dar de comer a quem tem fome.
2. Dar de beber a quem tem sede.
3. Vestir os nus
4. Dar pousada aos peregrinos
5. Assistir aos enfermos.
6. Visitar os presos.
7. Enterrar os mortos.
1. Dar bom conselho.
2. Ensinar os ignorantes.
3. Corrigir os que erram.
4. Consolar os tristes.
5. Perdoar as injúrias.
6. Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo.
7. Rogar a Deus por vivos e defuntos.
Fonte: Missal Romano

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Quaresma: Tempo de Conversão e Vida Nova


A Quaresma é tempo de conversão, do retorno para quem se acha longe de Deus. A Quaresma nos oferece especial oportunidade para uma renovação profunda na prática da reconciliação e da comunhão. A participação na Eucaristia, celebrada, vivida, adorada, sobretudo em circunstâncias interiores e exteriores de abertura frutificará em uma vida evangélica.
 Quando se participa da Penitência com as disposições de contrição e de bom propósito produzirá na vida espiritual uma sensibilidade maior à ação santificadora do Espírito de Deus, força contra o espírito do mal e forte determinação em seguir Jesus.
Neste tempo litúrgico que a Igreja nos oferece, fazemos memória dos 40 anos do povo de Deus no deserto e revivemos os 40 dias de deserto de Jesus preparando-se para a sua missão. O deserto é o lugar do silêncio, da oração, do vazio para deixar lugar para Deus, dando-lhe liberdade para agir e operar. É também o lugar da prova, da tentação, da luta espiritual, uma verdadeira acadêmica de exercitação do atleta de Deus que deve robustecer sua vontade, humilhar seu coração e sua mente, a fim de que o retorno ao Senhor aconteça de modo progressivo, fecundo, verdadeiro. Trata-se de um tempo de treinamento o que exigirá renúncia e esforço (cf. Cl 1,24-28; 1Cor 9, 24-27).
Conheça o significado da Quaresma
Chama-se Quaresma os 40 dias de jejum e penitência que precedem à festa da Páscoa. Essa preparação existe desde o tempo dos Apóstolos, que limitaram sua duração à 40 dias em memória do jejum de Jesus Cristo no deserto. Durante esse tempo a Igreja veste seus ministros com paramentos de cor roxa e suprime os cânticos de alegria: O "Glória", o "Aleluia" e o "Te Deum". 
Na Quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas e termina no domingo de ramos, os católicos realizam a preparação para a Páscoa. O período é reservado para a reflexão e à conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual. Nesse tempo santo, a Igreja católica propõe, por meio do Evangelho proclamado na quarta-feira de cinzas, três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade. 
Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa. 
Assim, retomando questões espirituais, simbolicamente o cristão está renascendo, como Cristo. 
A quarta-feira de cinzas é o primeiro dia da Quaresma no calendário cristão ocidental. As cinzas que os cristãos católicos recebem neste dia é um símbolo para a reflexão sobre o dever da conversão, da mudança de vida, recordando a passageira, transitória, efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte.

O posicionamento da quaresma varia a cada ano, dependendo da data da Páscoa. A data pode variar do começo de fevereiro até à segunda semana de março, neste ano começa no dia 13 de Fevereiro.
Alguns cristãos tratam a quarta-feira de cinzas como um dia para se lembrar a mortalidade da própria mortalidade. Missas são realizadas tradicionalmente nesse dia nas quais os participantes são abençoados com cinzas pelo padre que preside à cerimônia. O padre marca a testa de cada celebrante com cinzas, deixando uma marca que o cristão normalmente deixa em sua testa até ao pôr do sol, antes de lavá-la. Esse simbolismo relembra a antiga tradição do Médio Oriente de jogar cinzas sobre a cabeça como símbolo de arrependimento perante Deus (como relatado diversas vezes na Bíblia). No Catolicismo Romano é um dia de jejum e abstinência.

Fonte: Revista Divino Oleiro